Mais da metade dos Microempreendedores Individuais (MEIs) brasileiros acredita que as mudanças nas regras da categoria podem contribuir para o crescimento de seus negócios. É o que aponta a Sondagem Econômica MEI, realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).
Segundo a pesquisa, 51% dos entrevistados enxergam impactos positivos na ampliação do limite de faturamento e na possibilidade de contratar até dois funcionários. O levantamento foi realizado em julho de 2026, antes da aprovação e da sanção das novas medidas, e ouviu aproximadamente 2 mil microempreendedores de todas as regiões do país. <escape>[1]</escape>
Novo teto de faturamento amplia perspectivas de crescimento
Uma das principais mudanças é a atualização do limite anual de faturamento do MEI, que permaneceu em R$ 81 mil por vários anos.
Com as novas regras, o teto será elevado gradualmente: para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A alteração amplia a margem para que pequenos negócios aumentem suas receitas sem precisar migrar imediatamente para outro enquadramento empresarial, desde que continuem atendendo aos demais requisitos legais.
De acordo com a pesquisa, 61% dos entrevistados afirmaram que o aumento do limite permitiria crescer mantendo o enquadramento como MEI. Outros 43% destacaram a possibilidade de continuar na categoria por mais tempo. Como era permitido selecionar mais de uma resposta, os percentuais não são excludentes. <escape>[1]</escape>
Na prática, o teto ampliado pode favorecer investimentos em estoque, equipamentos, estrutura de atendimento e divulgação, além de oferecer maior flexibilidade para negócios em expansão.
Possibilidade de contratar até dois funcionários
Outra mudança relevante é a ampliação do limite de contratação de um para até dois empregados, conforme as condições previstas na nova legislação.
A medida pode ajudar os microempreendedores a distribuir melhor as tarefas, aumentar a capacidade de atendimento e melhorar a produtividade sem precisar mudar de enquadramento exclusivamente em razão da contratação de um segundo funcionário.
A pesquisa também identificou interesse na ampliação das equipes: quatro em cada dez MEIs entrevistados afirmaram que poderiam contratar um empregado adicional. Desse grupo, 11% disseram que certamente contratariam nos 12 meses seguintes, enquanto 31% considerariam essa possibilidade no futuro. <escape>[1]</escape>
A contratação formal, porém, exige planejamento. O empreendedor precisa considerar salários, encargos trabalhistas e previdenciários, férias, décimo terceiro salário e demais obrigações aplicáveis para avaliar se a nova despesa cabe no orçamento.
Quais setores demonstram maior intenção de contratar?
O levantamento identificou diferenças entre os setores econômicos e as regiões brasileiras.
Na indústria, 45% dos entrevistados manifestaram intenção de contratar um funcionário adicional. No comércio e nos serviços, o percentual foi de 42% em cada segmento.
Regionalmente, o Nordeste apresentou a maior proporção de MEIs com intenção de ampliar a equipe, chegando a 45% dos entrevistados. <escape>[1]</escape>
Os resultados indicam que o potencial de crescimento não depende apenas da mudança na legislação. A decisão de contratar também está relacionada à demanda, à capacidade produtiva e à situação financeira de cada empreendimento.
Como os empreendedores podem aproveitar as mudanças?
O aumento do limite de faturamento e a possibilidade de ampliar a equipe criam novas oportunidades, mas não garantem crescimento por si só. Para transformar essas mudanças em resultados, é necessário planejar os próximos passos.
Entre as medidas recomendadas estão:
- Acompanhar o faturamento: monitorar as receitas e projetar o crescimento para evitar ultrapassar os limites aplicáveis a cada período.
- Planejar os investimentos: avaliar se a ampliação do estoque, a compra de equipamentos ou a divulgação podem gerar retorno suficiente.
- Calcular o custo de contratação: considerar todos os encargos e direitos trabalhistas antes de ampliar a equipe.
- Organizar o fluxo de caixa: prever despesas fixas, tributos e compromissos financeiros para manter a operação sustentável.
- Manter a regularidade fiscal: acompanhar as obrigações tributárias e verificar o enquadramento adequado conforme as regras vigentes.
Também é importante lembrar que o novo teto não elimina os demais critérios para permanecer como MEI, como as restrições relacionadas às atividades permitidas e às condições de participação em outras empresas.
Crescer com organização é o próximo passo
A pesquisa do Sebrae e da FGV demonstra que os microempreendedores veem nas mudanças regulatórias uma oportunidade de ampliar suas atividades. O desafio será converter essa expectativa em crescimento sustentável, com controle financeiro, planejamento e cumprimento das obrigações legais.
Para quem está próximo do limite de faturamento ou pretende contratar funcionários, o momento é oportuno para revisar as projeções do negócio e avaliar as alternativas disponíveis.
A JS Contadores acompanha as mudanças na legislação e auxilia empreendedores no planejamento contábil, tributário e financeiro. Com orientação especializada, é possível avaliar os impactos das novas regras, organizar o crescimento e tomar decisões mais seguras para o futuro da empresa.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias — “Mais da metade dos MEI prevê crescimento com novo teto de faturamento e permissão para contratar”, publicada em 22 de outubro de 2026.