Mudanças trazidas pela Reforma Tributária exigirão adequações nos documentos fiscais, cadastros e sistemas utilizados pelas empresas a partir de 2027
As empresas optantes pelo Simples Nacional precisam começar a preparar seus sistemas e processos para as novas exigências fiscais que entrarão em vigor a partir de 2027. Com a implementação da Reforma Tributária, os documentos fiscais passarão a exigir novas informações relacionadas ao IBS e à CBS, tornando necessária a revisão de cadastros, parametrizações e regras fiscais.
A partir de janeiro de 2027, as empresas do Simples poderão seguir dois modelos: o Simples puro, mantendo a sistemática tradicional de recolhimento, ou o Simples híbrido, no qual IBS e CBS poderão ser apurados pelo regime regular, separadamente do DAS, permitindo a participação na sistemática de créditos desses tributos.
O que muda nas notas fiscais?
A adaptação não se resume a uma simples atualização do sistema ou à inclusão de novos campos na nota fiscal.
Os cadastros de produtos e serviços precisarão ser revisados para incorporar informações relacionadas ao IBS e à CBS, como o CST-IBS/CBS e o cClassTrib, além das respectivas regras de tributação.
Essas informações serão importantes para o correto enquadramento das operações, aplicação de reduções e regimes diferenciados e, quando aplicável, para o cálculo e destaque dos novos tributos.
Com isso, a nota fiscal passa a ter uma função ainda mais relevante dentro do processo de apuração tributária, inclusive para o aproveitamento de créditos pelo adquirente.
Sistemas precisarão estar preparados
Empresas que utilizam sistemas próprios ou contratados deverão verificar com seus fornecedores de software quais adaptações serão necessárias.
Além dos novos layouts dos documentos fiscais, será necessário revisar cadastros, parametrizações e regras fiscais. A tecnologia, portanto, precisará estar alinhada às informações fiscais utilizadas pela empresa.
A recomendação dos especialistas ouvidos pela FENACON é não deixar essa preparação para os últimos meses de 2026. Testes e configurações antecipadas podem ajudar a identificar inconsistências antes da entrada das novas regras.
Empresas de serviços precisam ficar atentas
Para as microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional que prestam serviços, existe ainda uma mudança anterior.
A partir de 1º de novembro de 2026, essas empresas deverão utilizar o Emissor Nacional da NFS-e, conforme as informações apresentadas na matéria.
A NFS-e nacional já contempla campos destinados às informações relacionadas ao IBS e à CBS, além das informações referentes ao ISS quando aplicáveis.
Assim, as empresas de serviços terão duas etapas de adaptação: a migração para o Emissor Nacional ainda em 2026 e as novas exigências relacionadas ao IBS e à CBS nos documentos fiscais a partir de 2027.
A mudança também impacta quem recebe a nota
As novas regras não afetam apenas quem emite o documento fiscal.
Quando houver direito a crédito, as informações registradas na nota fiscal poderão ser utilizadas como referência para o aproveitamento de IBS e CBS. Por isso, erros ou inconsistências na emissão também podem impactar a empresa que recebe o documento.
A correta classificação das operações passa, portanto, a ter importância tanto para o emissor quanto para seus clientes e fornecedores.
O que as empresas devem fazer ainda em 2026?
A preparação para 2027 deve envolver tecnologia, área fiscal e gestão. Entre os principais pontos de atenção estão:
- Identificar quais documentos fiscais e operações serão afetados;
- Conferir o cronograma aplicável à atividade da empresa;
- Verificar com o fornecedor do sistema se a plataforma estará preparada para as novas exigências;
- Realizar testes antes da entrada em vigor das novas regras;
- Revisar os cadastros fiscais de produtos e serviços;
- Conferir códigos de atividade e classificações tributárias;
- Avaliar, com apoio contábil e tributário, o modelo de Simples mais adequado à realidade da empresa.
Deixar essas adequações para a última hora pode aumentar o risco de problemas na emissão dos documentos fiscais. Segundo os especialistas citados pela FENACON, inconsistências podem levar à rejeição de notas e até comprometer o faturamento enquanto os problemas não forem solucionados.
Reforma Tributária exige preparação antecipada
A chegada das novas regras não envolve apenas mudanças na legislação. Empresas também precisarão adaptar seus processos, sistemas e cadastros para que as informações fiscais sejam corretamente transmitidas nos documentos.
Por isso, o período restante de 2026 deve ser utilizado para revisar as informações utilizadas atualmente, conversar com o contador e com o fornecedor do sistema e realizar os testes necessários.
A preparação antecipada permite que a empresa chegue a 2027 com seus processos estruturados para as novas exigências da Reforma Tributária.
Fonte: JS Contadores